Mesa alentejana com pratos tradicionais e vinho de talha em cenário de vindimas

À Mesa com o Alentejo — As Novidades de Agosto

Há uma sabedoria antiga na cozinha do Alentejo. Uma sabedoria que não se apressa, que respeita a estação e que conhece o valor de um bom azeite, de um vinho que conta histórias, de um pão que ainda cheira a forno de lenha.

Agosto chega com essa mesma cadência — e com ela, uma nova seleção de receitas no blog À Mesa com o Alentejo.

Começamos pela caça, que no Alentejo é tradição e é arte. O javali estufado com vinho tinto chega à mesa depois de horas de lume brando, com um molho rico e profundo que pede pão para não desperdiçar nada. O veado assado com batata a murro segue o mesmo caminho — temperado com alho e ervas da terra, assado devagar até a carne se tornar suculenta e tenra.

Para os dias mais quentes, chegam também duas propostas de verão: a salada de pimentos assados com atum e azeite Galega, onde o doce dos pimentos encontra a elegância de um azeite de carácter, e a salada de grão com bacalhau e coentros, simples e generosa como a cozinha alentejana sempre foi. E porque agosto no Alentejo também é doce, trazemos dois tesouros da tradição conventual de Évora — o Toucinho do Céu, denso e perfumado com amêndoa e gemas, e o Pão de Rala, um dos doces mais nobres e menos conhecidos fora da região. A fechar, as migas de tomate com ovos mexidos — um prato humilde, rápido e profundamente reconfortante, que resume tudo o que há de bom numa cozinha honesta.

Mas agosto no Alentejo traz também outra novidade no ar — o cheiro a terra quente que anuncia as vindimas. As uvas estão quase prontas, e com elas a promessa de mais um ano de vinhos que contam a história desta terra. É o momento certo para descobrir — ou redescobrir — a nossa seleção: dos brancos frescos e minerais aos tintos encorpados que pedem mesa posta e boa companhia, passando pelo espumante que abre qualquer celebração com elegância.

E depois há o vinho de talha. Feito à maneira antiga, em talhas de barro, seguindo um método com mais de dois mil anos — o mesmo que os romanos usavam nestas planícies. Um vinho vivo, único, que muda a cada ano e que não se encontra em mais lado nenhum. Se ainda não o conheces, agosto é a altura perfeita para o descobrir — antes que as vindimas tragam uma nova colheita e a talha se renove.

A mesa está posta. A adega está pronta. Fica atento.

Voltar para o blogue

as nossas sugestões...